QUEM SOMOS E NO QUE CREMOS.

"E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações."
Atos 2.42 NTLH

Somos um grupo de pessoas que amando a Deus e uns aos outros decidiu se reunir semanalmente na cidade de Itajaí-SC. Nossos encontros acontecem nas casas ou em outros ambientes informais.
Primamos pela alegria e informalidade, aspectos próprios do viver comunitário e daquela expressão viva da igreja do primeiro século.

Desejamos viver como igreja orgânica, isto é, um corpo formado por pessoas e dons diversos, mas ligadas ao mesmo Deus e Palavra. Nessa diversidade temos a liberdade de expressar nossas habilidades para a glória do Senhor.

Somos um grupo simples, que não está preocupado com a institucionalização das formas e práticas. Acreditamos que o verdadeiro culto acontece na vida, no nosso ir e vir diário, e que os encontros coletivos são apenas uma parte desse viver em adoração (ver Jo 4.20-24).

Somos um grupo aberto àquelas pessoas que desejarem nos conhecer e viver a vida cristã sem uma roupagem formal e religiosa, mas cheia de vida e paz.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

NA CAMINHADA



“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos" (Mt 28.18-20).

 Muito se fala em pregar o evangelho, e de fato é essa é uma das tarefas a nós outorgadas pelo Senhor. Todavia, boa parte do que é dito refere-se à proclamação como o desenvolvimento de determinadas estratégias visando “alcançar” os “não alcançados”. Tomados pela ânsia de realizar programas capazes de cumprir tais estratégias, a maioria das pessoas tende a pelo menos uma destas coisas:

 Há aqueles (como fiz outrora) que, movidos por sentimentos e intenções diversas, abandonam o ritmo de vida “normal” que levavam (viver em família, estudar, trabalhar, etc) e saem para uma suposta “dedicação exclusiva” à pregação. Alguns começam frequentando seminários e outras escolas, a fim de serem “formados” para a tarefa. Quero deixar claro que não sou totalmente avesso às escolas teológicas, pois eu mesmo frequentei uma. Tenho resalvas com muito do que é ensinado (doutrinas espúrias). Mas acredito que ninguém precisa mudar seu estilo de vida para se tornar um proclamador do evangelho. Deus não nos chama para sermos profissionais da fé. Ele apenas nos capacita com dons para o serviço.

 Outros por sua vez, se acham distantes do primeiro grupo, e impossibilitados de anunciar o evangelho. Acabam se tornando meros frequentadores ou consumidores dos inúmeros eventos e produtos (muitos destes gerados pelos tais “profissionais” fé).
A verdade é que o texto exposto acima não nos propõe nenhuma das duas opções. Jesus convidou seus discípulos para uma caminhada: “Vão”, “indo” (v. 19). Cada um deve seguir sua própria jornada, e proclamar o evangelho ao longo do percurso. Não há necessidade de abandonarmos a realidade na qual estamos inseridos (trabalho, estudos, etc), muito menos nos afastarmos das pessoas com as quais convivemos. Devemos seguir o modelo proposto pelo Mestre durante sua jornada terrena, “fazendo discípulos” por onde passarmos.

 É bem verdade que algumas pessoas dedicam-se exclusivamente ao ministério, como o fez Paulo; mas, isso não as torna diferentes, nem as coloca numa posição de responsabilidades e privilégios diferenciados. Quem assume tal condição, deve servir ao Senhor e aos irmãos de maneira humilde e sincera conforme o dom que recebeu do Espírito (ver 1 Pe 4.10). Tal entrega não deve ocorrer por emoção ou pressão de pessoas ou sistemas, mas pala capacitação do Senhor e o reconhecimento do dom por parte da igreja.

 Os desafios são múltiplos: “proclamar”, “fazer discípulos”, “batizar”, “ensinar”, etc. Não se trata de uma rotina religiosa, e sim de uma caminhada diária conforme propôs Jesus. A medida que fazemos isso, o Senhor acrescenta os que vão sendo salvos (ver At 2.47). Um estilo de vida segundo o evangelho de Jesus é a melhor forma de transmitirmos o evangelho às pessoas a nossa volta, como respondeu Lutero ao sapateiro que lhe perguntou: “Como servir a Deus e ser um cristão melhor? Faça um bom sapato e venda por um preço justo!” Por meio de nós o Senhor manifesta sua gloria aos homens e atraí os eleitos ao arrependimento por meio da pregação do evangelho.

Viva! Caminhe! Proclame o evangelho!
 
Riva

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Um testemunho verídico de um EX...



Um amigo me perguntou: "Por quê você não frequenta mais a igreja?"

Deixei frequentar (participa) da igreja denominacional (institucional) da qual fiz parte mais de vinte anos. Algumas razões que me levaram a isso, são as seguintes:

1. Com o passar do tempo fui compreendendo que a Igreja de Jesus é um corpo, e não instituição ou prédio. Sendo assim, passei a me encontrar com outros irmãos que apenas queriam estar juntos em adoração ao Senhor, sem as prerrogativas denominacionais.

2. Passei a defender as doutrinas da graça (teologia reformada), e percebi que a grade maioria das pessoas a minha volta não as aceitava. Constatei, que a preferência era pela mensagem centrada no bem estar do homem, e não na soberania divina.

3. Optei por ser e agir como um cidadão "comum". Isto implicou em abandonar a carteirinha pastoral, títulos, cargos, salários, etc. Voltei ao mercado de trabalho, passando a sustentar minha família, como faziam os demais irmãos.

4. Em dado momento percebi que não conseguia mais participar dos cultos em formato teatral, nem ouvir e cantar a maior parte das canções (pois muitas delas exaltavam o homem). Estar nestas reuniões passou a ser um peso, pois não me encaixava mais no modelo.

5. Conclui que devia deixar de ser um pregador "pulpitocentrico", estilo professor ou filósofo. Minha preferência passou a ser compartilhar a Palavra na caminhada com os irmãos, sendo mais um entre eles e com eles.

6. Em suma, deixei de participar da igreja institucional (mesmo ciente que lá, há muitos eleitos de Deus) por considerar que não podia mais continuar sendo evangélico, pois ser evangélico se tornou algo muito estranho ao evangelho de Jesus.

Assim como fazer parte da igreja institucional não significa necessariamente fazer parte da igreja de Jesus, deixá-la, também não significa deixar o corpo. Quem faz parte do corpo, jamais deixará de ser membro do mesmo.

Riva

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

“MISTÉRIO” (Reflexão: Efésios 5.21-33)



A vivência da igreja simples (orgânica) em muito se assemelha a dinâmica familiar. Isso se dá entre outros fatores, pela proximidade e envolvimento entre os irmãos. Paulo destaca varias semelhanças entre a relacionamento conjugal e a relação entre Cristo e a Igreja. Neste sentido, podemos compreender os muitos desafios inerentes àquilo que o apostolo chama de “mistério” (v. 32).
De fato, tanto a relação conjugal quanto a comunhão entre os membros do Corpo, estão imersas em “mistérios”. Isso porque, há muitas coisas a serem descobertas e outras tantas que jamais descobriremos (entenderemos), ainda que empenhemo-nos ao máximo.
Reflitamos sobre algumas questões “misteriosas” do ser igreja, a semelhança da “misteriosa” relação conjugal.
O mistério implícito nas diferenças. Como no casamento, ser igreja com outros irmãos, é mergulhar no “mistério” da relação entre diferentes. Nessa caminhada, há vários princípios norteadores, entre os quais se destacam o amor e a submissão. Tais diferenças podem ser tanto uma oportunidade de crescimento quanto (infelizmente) razão para inúmeros conflitos de relacionamento e ideias.
A verdade é que, não há a mínima possibilidade de sermos igreja sem encararmos e convivermos com as diferenças. Manter comunhão uns com outros não significa plena fusão, mas, a disposição para amar e submeter-se continuamente.
Como no casamento: “o que Deus uniu” (os membros do Corpo) não pode ser separado por questões secundárias ou meros gostos pessoais. Podemos dizer que, na Igreja, fomos “casados” uns com outros, para a unidade de partes (membros) distintas.
O “mistério” revelado nos diferentes papéis. Cristo é a cabeça do corpo e o homem o cabeça da mulher. Devemos estar sujeitos a Cristo e uns aos outros, e o combustível para tal é o amor. Quem é amado (igreja/esposa) se sujeita, pois quem ama não impõe sua autoridade (Cristo/marido).
Nesta relação há papéis e responsabilidades definidas, de modo que uma parte (membro) não deve se sobrepor nem se desvalorizar em relação às demais. Cada um recebeu pelo menos um dom para cooperar com a edificação (ver 1 Pe 4.10). Quando cada um assume suas responsabilidades e respeita os outros, a caminhada se torna mais leve e edificante, tornando-se um testemunho vivo para os que estão de fora (ver At 2.47).
O “misterioso” dilema entre o ideal e o real. O relacionamento entre marido e mulher é cercado de ideais e desafios, envolto em certa dose de paixão e atração. É comum cada uma das partes desenvolverem certas expectativas em relação às outras. No entanto, com o passar do tempo percebe-se que muitos dos ideais estabelecidos, sucumbem ante a realidade da caminhada. O fato, é que há um enorme abismo entre o ideal e o real, mas ambos caminham de mãos dadas em qualquer relação; seja no casamento ou na vivencia como igreja.
Temos um ideal de amor pelo o Senhor e uns pelos outros, mas nem sempre alcançamos o mesmo.
Objetivamos estar mais integrados e participativos na caminhada, todavia, há inúmeras questões diárias que nos impossibilitam.
Desejamos deixar as amarras religiosas (institucionais), mas frequentemente nos vemos presos a questões inimagináveis, como: tradições, ritos e “achismos”.
Muitas vezes somos como o marido que afirma amar a esposa, porém se contradiz com seu autoritarismo e insensibilidade ante questões do cotidiano ou como a esposa que se expõe por amor, mas não ama a ponto de se sujeitar (colocar-se sob a missão do marido).
Idealizamos a irmandade no convívio e no compartilhar, no entanto, nem sempre nos sensibilizamos diante de necessidades explicitas.
O ideal e o real fazem parte do cotidiano terreno, quer aceitemos ou não.
O “mistério” dos diferentes contextos. O casamento e a igreja unem pessoas e histórias distintas. Na ultima, podemos encontrar todas as classes, raças, culturas, formações, etc. O Corpo de Cristo é o centro da celebração das diferenças.
Isso se evidencia de maneira concreta nas peculiaridades de cada igreja (grupo). Ainda que se reúnam na mesma ou cidade ou bairro, é possível que cada um deles apresente características distintas. Este “mistério” pode manifestar-se por meio do estilo da reunião, da musica, da pratica dos dons e de muitas outras maneiras.
Os diversos contextos geram uma diversidade de manifestações do modo de ser igreja. Sendo assim, necessitamos de sensibilidade para aceitar os diferentes e suas diferenças.
Uma das maiores agressões ao verdadeiro espírito de comunidade é a tentativa de impor certos costumes e praticas com sendo aplicáveis a todos os contextos. Isso se trata de falta de entendimento a respeito do Corpo de Cristo e sua multiplicidade (ver 1 Co 12.12-31, Ef 4.11-16).
Devemos encarar o desafio de separar os princípios (mandamentos) divinos, das questões culturais, geográficas, históricas, gostos pessoais e tantas outras coisas. Os princípios divinos serão sempre imexíveis, as demais questões dependerão sempre do contexto.
Continuemos a caminhada envolta nestes e tantos outros “mistérios”. guardemos a fé, a esperança e o amor; discernindo e sendo discernidos na comunhão com o Senhor e com uns com os outros. Assim seremos aperfeiçoados segundo a vontade daquele que nos “escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1.4).
Riva

terça-feira, 22 de julho de 2014

Apresentação/Consagração de Crianças


Êxodo 13:2 NVI
“Consagre a mim todos os primogênitos. O primeiro filho israelita me pertence, não somente entre os homens, mas também entre os animais”.
Levítico 12:7-8 NVI
O sacerdote os oferecerá ao Senhor para fazer propiciação por ela, que ficará pura do fluxo do seu sangramento. Essa é a regulamentação para a mulher que der à luz um menino ou uma menina. Se ela não tiver recursos para oferecer um cordeiro, poderá trazer duas rolinhas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado. Assim o sacerdote fará propiciação por ela, e ela ficará pura”.
Lucas 2:22-24 NVI

Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor”).  e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: “duas rolinhas ou dois pombinhos”.

Diante dos textos acima, fica evidente que o ritual evangélico de apresentação das crianças não passa de um formalismo legal da velha aliança, mantido por questões de ordem estrutural (manter a família ligada à denominação) e econômica (receber uma "gorda" oferta por se tratar de um momento tão especial na vida do casal/família).

Prova de que esse ritual não é Bíblico, portanto desnecessário, é o fato de que ele não atende ao objetivo pelo qual Deus o instituiu.

Somente os primogênitos, ou seja, os primeiros,  e somente do sexo masculino eram consagrados.  Ser consagrados significa que essas crianças eram destinadas, já ao nascerem, para servir no templo. Não ficariam junto de suas famílias, não seguiriam as profissões de seus pais ou antepassados. Eram dedicadas ao serviço do templo.

Então por que Jesus também foi apresentado/consagrado?

Ora, Jesus, nasceu em família de Judeus, sujeitos à Lei de Moisés.

Mas se olharmos a vida de Jesus, ele não serviu no templo. O exercício do seu ministério foi fora dos templos e contra os dominadores da sua época (doutores da lei e fariseus).
Após sua morte e ressurreição, dando-se a Si mesmo como cumprimento da velha aliança e estabelecendo uma nova, ficaram os princípios e morreram os rituais.

Os princípios percebemos pela vida e prática de alguém.  Já os rituais são externos e qualquer um pode pratica-los, mesmo sem estar entendendo e vivendo o princípio por detrás do rito.

Portanto, esse ritual de apresentação/consagração praticado por aí, não passa de manipulação, e de imputação de medo sobre as pessoas (se você não apresentar seu filho(a) no altar, fazendo uma oferta, ele(a) estará entregue a Satanás, dentre outras barbaridades).

Se você é Cristão, viva o princípio: quando seu filhinho nascer pegue-o você mesmo e sua esposa/família e irmãos de fé mais achegados, faça uma comunhão (almoço ou janta) e agradeça a Deus por essa tão grande bênção que é o seu filho(a). Faça isso de coração. 

E, principalmente, viva uma vida embasada nos princípios do Evangelho. Essa é a nossa maior ferramenta para oportunizar que nossos filhos sigam esse caminho, se assim for a vontade do Soberano Deus.

Paz e bem,

Oldair
(Timbó/SC)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre a Ceia


Lendo e ouvindo varias considerações sobre a prática da Ceia, me parece que esta é uma das questões mais comentadas entre os manos que optam por caminhar nas trilhas do evangelho simples. Diante disso, apresento algumas questões para a nossa reflexão e debate:

1. A meu ver, Jesus não instituiu nenhum tipo de cerimonial religioso. Ele apenas partiu o pão e compartilhou com os discípulos, afirmando ser símbolo do seu corpo. Do mesmo modo tomou o cálice (vinho), dizendo ser símbolo do seu sangue.

 2. Eles estava num ambiente informal (casa), assentados a mesa participando de uma refeição normal. Durante esta refeição ele tomou o pão e o vinho, de modo simples e natural, e assim compartilhou com seus discípulos. Sem fazer nenhum ritual.

 3. O pão e o vinho eram elementos comuns em qualquer refeição judaica. Alimentos comuns e conhecidos de todos. O pão e o vinho compartilhados já estavam sobre a mesa. Isto significa que não foram especialmente preparados para uma cerimônia, pois faziam parte da refeição (Temos aqui também o exemplo de 1 Co 11.17-34).

4. Jesus apenas disse que sempre que eles comessem (o pão) e bebessem (vinho), deveriam fazê-lo em sua memória (relembrando sua morte).

 5. Ele não estabeleceu dias para o partir do pão, nem quantas vezes na semana ou no mês. Apenas disse quem quando fizessem, deveriam fazê-lo em sua memória.

 6. Ele também não disse que tipo de pão deveria ser usado, nem se era vinho ou suco de uva.

 7. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos algum tipo de formatação religiosa para a prática da Ceia.
 
* Penso que o que não podemos deixar de fazer é trazer a memória a morte de Cristo e seu significado para a nossa salvação. O demais: como fazer e quando fazer, cada igreja deve administrar conforme achar melhor.
 
* Ritualizar ou mistificar a Ceia, me parece vesti-la daquilo que Jesus não imaginou na sua caminhada com os discípulos.
 
* Me parece que ritualismo não combina com a proposta de uma caminhada simples no Evangelho de Jesus Cristo.
 
Riva

sexta-feira, 27 de junho de 2014


Reflexão: Efésios 5.21-33
 

A vivência da igreja simples (orgânica) em muito se assemelha a dinâmica familiar. Isso se dá entre outros fatores, pela proximidade e envolvimento entre os irmãos. Paulo destaca varias semelhanças entre a relacionamento conjugal e a relação entre Cristo e a Igreja. Neste sentido, podemos compreender os muitos desafios inerentes àquilo que o apostolo chama de “mistério” (v. 32).
 
De fato, tanto a relação conjugal quanto a comunhão entre os membros do Corpo, estão imersas em “mistérios”. Isso porque, há muitas coisas a serem descobertas e outras tantas que jamais descobriremos (entenderemos), ainda que empenhemo-nos ao máximo.
 
Reflitamos sobre algumas questões “misteriosas” do ser igreja, a semelhança da “misteriosa” relação conjugal.
 
O mistério implícito nas diferenças. Como no casamento, ser igreja com outros irmãos, é mergulhar no “mistério” da relação entre diferentes. Nessa caminhada, há vários princípios norteadores, entre os quais se destacam o amor e a submissão. Tais diferenças podem ser tanto uma oportunidade de crescimento quanto (infelizmente) razão para inúmeros conflitos de relacionamento e ideias.
 
A verdade é que, não há a mínima possibilidade de sermos igreja sem encararmos e convivermos com as diferenças. Manter comunhão uns com outros não significa plena fusão, mas, a disposição para amar e submeter-se continuamente.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

CONGREGAR


Não deixemos de reunir-nos como igreja,
segundo o costume de alguns, mas procuremos
encorajar-nos uns aos outros, ainda mais
quando vocês veem que se aproxima o Dia”
(Hb 10.25 - NVI)

As citações desenfreadas e na sua maioria equivocadas do texto acima exposto, me instigam a tecer alguns comentários sobre o “congregar”.  Alguns se utilizam deste versículo para “exortar” as pessoas que optaram por não compactuar das mesmas atividades religiosas praticadas por eles.
Não são poucos os que associam o “congregar” com a frequência sistemática de um local, que a maioria chama de “igreja”, fato que os leva a considerar “desviados”, “sem igreja”, “rebeldes”, “insubmissos”, etc; aqueles que não fazem parte de instituições religiosas, nem frequentam reuniões litúrgicas. Isto se dá pela falta de entendimento do real significado da Igreja (questão que trataremos com maior profundidade em outra oportunidade).
Por hora nos deteremos numa abordagem clara e pratica do texto acima destacado. Tomando-o como base, poderemos ter um entendimento que torne mais contundente o “congregar-nos como igreja”.

“Não deixemos de reunir-nos ... segundo o costume de alguns”. Congregar é apenas nos reunirmos como Igreja. Isto significa estarmos juntos com outras pessoas, compartilhando vida por meio da oração, comunhão e palavra (At 2.42). Observando as palavras de Jesus: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, estarei no meio deles” Estar reunido sob seu nome aponta para a centralidade nos evangelhos, seus ensinamentos e práticas. Não se trata do mero uso do nome de Jesus, numa fachada ou em slogans e frases de efeitos com é comum em muitos locais e ajuntamentos religiosos.
O escritor aos Hebreus nos adverte a respeito de muitos terem o costume de não se reunirem como Igreja. Esta é uma clara demonstração de total desconhecimento da verdade do evangelho de Jesus. Quem age assim, se coloca na contramão da edificação pessoal e mútua, dando claros sinais de sua não identificação com o Senhor da Igreja. Fica evidente que esta só pode ser uma inclinação natural daqueles que ainda não compreenderam, e outros que jamais compreenderão o chamado da graça.
Os filhos de Deus não devem se deixar levar pelo exclusivismo ou isolamento. Não há expressão do ser Igreja no isolamento premeditado. Eles são impulsionados pelo Espírito Santo, que os aproxima uns dos outros na convivência e proclamação do evangelho.

“... como igreja...”. Está claro que nem toda reunião de pessoas expressa o verdadeiro significado de Igreja, mas toda expressão da Igreja implica no coletivo, seja em encontros frequentes ou em outras manifestações. A ecclesia não depende das prerrogativas institucionais com nomenclaturas, hierarquias e liturgias; trata-se apenas da reunião de pessoas com objetivo de adorar ao Senhor, com liberdade e simplicidade.
Reuni-se “como igreja” não se relaciona com a frequência sistemática a um determinado local, ainda mais quando o mesmo é chamado de “igreja”. O que realmente importa é o encontro, as pessoas (Igreja), a edificação mutua por meio da palavra, oração e comunhão.
Quando nos reunimos como Igreja o Senhor se manifesta na coletividade por meio dos dons, conforme nos instrui Pedro: “Cada um exerça o do que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas” (1 Pe 4.10 - NVI). A verdadeira igreja inspira a participação de todos, contrariando aqueles que se assentam a espera que alguns poucos tenham o controle das reuniões, exercendo domínio impróprio. Recordemos as palavras de Paulo:Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” (1 Co 14.26).

“Mas procuremos encorajar-nos uns aos outros”. Aqui está uma das maiores bênçãos decorrentes da vida comunitária do corpo de Cristo. Na caminhada com outros irmãos somos encorajados e encorajamos, fortalecidos e fortalecemos, ajudamos a levantar e somos levantados quando caímos.
Olhando por este ângulo, podemos concluir que aos nos reunirmos como Igreja somos os maiores favorecidos. Deus não precisa dos nossos ajuntamentos, mas nós necessitamos dele e uns dos outros. Neste sentido, deixar de “congregar” nos torna  mais vulneráveis ante as muitas lutas que enfrentamos diariamente.
Na falsa ideia proposta pelo congregar institucional, onde a montagem é teatral e truncada, há pouquíssima ou quase nenhuma abertura para o pleno exercício da mutualidade e encorajamento uns dos outros. Se não houver verdadeira convivência entre os irmãos, dificilmente desfrutaremos do pleno exercício dos dons. Se as reuniões forem liturgicamente “corretas” provavelmente serão incorretas do ponto de vista do engajamento e encorajamento proposto pelo evangelho.
Com é bom adorar a Deus juntamente com pessoas que se colocam ao nosso lado como “amigos mais chegados que irmãos”. Por meio de todos Deus manifesta sua graça, e assim seguimos o conselho paulino: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor” (Ef 4.2 – NVI)
                                    
“Ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia”. Dentre os muitos sinais bíblicos do final dos tempos, um dos mais relacionados com o viver congregacional é o “esfriamento do amor” (Mt 24.12). Segundo Jesus isso se daria principalmente “Devido o aumento da maldade”. A maldade reprime a manifestação do amor, e a tal esfriamento nos afasta uns dos outros. Por esta razão devemos redobrar nossa atenção, e dar o devido valor ao “congregar como igreja”.
Quanto mais caminhamos como discípulos de Jesus, mais nos aproximamos da consumação de todas as coisas. Tempo no qual o Senhor se manifestará para receber os eleitos e entregá-los ao Pai. Tal jornada deve ser marcada pela comunhão entre os irmãos na promoção da edificação uns dos outros, para a firme perseverança até “o Dia”.

Aos eleitos, unidos à Igreja de Jesus Cristo, e por sua graça e misericórdia ligados uns aos outros em comunhão.


Riva

sexta-feira, 10 de maio de 2013

OUVIR


Este é o meu filho amado em quem me agrado. Ouçam-no! (Mt 17.5)


Sem duvida alguma uma das principais características de um autentico filho de Deus é a sua inclinação para ouvir a Sua voz. Jesus afirmou que suas ovelhas “... ouvem a sua voz... ” (Jo 10.3). No mesmo texto de João 10, ele também desta que elas (suas “ovelhas”) “nunca seguirão um estranho; na verdade fugirão dele, porque não reconhecem a voz de estranhos (v.4).

Acredito ser oportuna tal reflexão, pois vivemos numa época onde a comunicação é uma das principais estratégias de propagação de informações e influência sobre as pessoas. Sendo assim, é de fundamental importância sabermos a quem ouvir, pois nossas palavras e ações serão frutos das informações corretas ou destorcidas que estivermos absorvendo.

Naquele momento de grande gloria, diante da transfiguração de Jesus; Deus se manifestou como o Pai que afirma o filho, deixando uma orientação clara para os três discípulos: “Ouçam-no!” É evidente que tal afirmação deve ser levada a serio por todos os eleitos, afinal, não nos compete outra coisa a não ser obedecermos a sua voz. Quem é nascido de Deus se compraz em ouvi-lo. Consideremos alguns pontos que podem nos auxiliar na desafiadora tarefa de ouvir a “voz do Senhor” e andar segundo Ele nos propõe.

  1. Como o próprio Jesus afirmou: “... elas (“ovelhas”) conhecem a sua voz...” (Jo 10.4). Ninguém conhece a voz do Senhor a menos que seja por ele conhecido. Isto significa dizer que tal realidade decorre do novo nascimento, e que apenas os eleitos de Deus, regenerados por seu amor e misericórdia poderão ouvir e discernir o que ele diz e porque diz. Trata-se de um aspecto inerente à relação Pai e filhos. Algo que se desenvolve na caminhada diária e no desenvolvimento de uma relação estreita e saudável, pautada pelo devido embasamento na doutrina bíblica.
  2. Seguindo a ordem divina, devemos analisar os principais temas à luz dos ensinamentos de Jesus. Essa é a principal maneira de ouvi-lo. Seus ensinos são fundamentais para um viver pautado pela adoração sincera ao Pai e uma caminhada digna do discipulado cristão. Devemos observar, por exemplo, o que os ensinamentos do Mestre revelam sobre questões como: adoração, igreja, comunhão, contribuições materiais (dízimos e ofertas), amor ao próximo, proclamação do evangelho, e tantas outras.

À medida que nos envolvemos com questões de caráter religioso é comum assumirmos posturas, falas e ideias; sem antes as avaliarmos com base nos ensinos de Jesus. Tal inclinação nos torna muito mais vulneráveis diante de práticas que não sejam reflexo daquilo que corresponde a andarmos em sintonia com: “Ouçam-no”! Nenhuma outra voz, ensino ou influência pode ser mais atraente do que a voz do Supremo Pastor, aquele que dá a sua vida pelas ovelhas.

  1. Convém lembrarmos que a Igreja de Jesus Cristo está fundamentada sobre a “doutrina dos apóstolos” (At 2.42). Compreender os ensinos deixados pelos primeiros seguidores de Cristo é uma das melhores maneiras de darmos ouvidos à Sua voz. Isso demonstra quão importante é o embasamento doutrinário para um caminhar alinhado com o propósito divino. Fugir da solidez doutrinaria é semelhante a construir uma casa sobre a areia.

A falta da doutrina bíblica e as muitas interpretações infundadas tem sido a causa de praticas estranhas ao evangelho de Jesus e a manifestação de inúmeros escândalos. Ouçamos a doutrina bíblica, e a partir dela desenvolvamos práticas simples e transformadoras, próprias dos autênticos filhos de Deus.

  1. Creio que outra maneira saudável de “ouvirmos Jesus” é interagindo com os irmãos da fé. Pessoas que procuram caminhar com base nos ensinos do Mestre. Neste caso, os encontros coletivos são de fundamental importância para a edificação mutua e os constantes ajustes na caminhada. Cada participante contribui com seus dons, compartilhando e recebendo. Através do compartilhamento coletivo podemos discernir melhor o que Jesus nos ensina com base em sua Palavra, evitando “achismos” e principalmente, praticas desconexas com a verdade divina.

Atentemos para a orientação divina: “Ouçam-no!” Que este apelo nos atraia aos fundamentos da fé bíblica, e nos afaste da falsa espiritualidade baseada nas emoções e tantas manifestações vestidas da roupagem religiosa, mas desprovida do verdadeiro sentido cristão. Voltemo-nos para a comunhão com o Senhor, atentos aos ensinos do Mestre, fundamentados na doutrina dos apóstolos e sem desprezar o viver em comunhão com os irmãos. Assim, a voz do Senhor será muito mais clara e manifesta em nosso viver.

Riva

sexta-feira, 3 de maio de 2013

FRUTOS





“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica” (Mt 7.24)


Na ótica do que Jesus ensina no Sermão do Monte, o grande diferencial entre “uma pessoa qualquer” e aquela que realmente adora a Deus e faz sua vontade, é o comprometimento com a prática da Palavra.

A fundamentação e as ações (práticas) decorrentes do ensino bíblico distinguem os verdadeiros dos falsos profetas. Os últimos se apresentam de forma religiosamente “impecável”: “profetizam, expelem demônios e fazem milagres” (Mt 7.22). Tais atitudes facilmente são acatadas e celebradas pelo povo, mas Jesus não se impressiona com as mesmas, e as caracteriza como “praticas iníquas”. Para ele, o que vale é aquele que “faz a vontade do Pai” (Mt 7.21), esse, “entrará no reino dos céus”. 

Portanto, o grande sinal é “ouvir e praticar a palavra”. Neste sentido, “ouvir” é muito mais do que apenas ter acesso (contato) com a palavra. É recebê-la no coração.

Se a prática bíblica é a grande característica daqueles que agradam a Deus, devemos ter clareza a respeito dos mesmos. Quem são estes que podem “ouvir e praticar” a Palavra? Ao compreendermos a doutrina bíblica da eleição dos santos, entende-se também que esta é uma graça outorgada aos eleitos de Deus. Estes, iluminados pelo Espírito Santo, podem ouvir e entender aquilo que o Senhor lhes ensina por meio da Bíblia.

Tendo isso em mente, não estranharíamos os frutos danosos, gerados pelos falsos profetas cada vez mais presentes nas tribunas e mídias das instituições religiosas. Na verdade, o que eles praticam, apenas comprova o que Jesus sentenciou: “Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mt 7.16). 

Tomando a Palavra de Deus como base, estejamos atentos a tudo o que é falado e realizado em nome da fé. Assim, identificaremos os frutos de cada um.


Riva

quarta-feira, 17 de abril de 2013

"Em Secreto"


E seu Pai, que vê o que é feito em secreto, o recompensará” (Mt 6.4)

 
Interessante observarmos como questões cruciais do dia a dia, são tratadas na perspectiva divina. Sobretudo aquelas que geralmente ganham maior destaque, quando as pessoas tentam demonstram publicamente sua fé. Notemos por exemplo, como Jesus expõe o tema das “esmolas” e a “oração”. Em ambos os casos, o Mestre, difere completamente das praticas adotadas pelos religiosos.

Em relação ao compartilhar doações (“esmolas”), os religiosos faziam questão de demonstrar o que doavam, quanto doavam e como doavam. A princípio, o foco não era o suprimento dos necessitados, mas, a “piedade” dos doadores. Com isto, eles julgavam estar agradando a Deus. Esta é tendência humana. Todavia, Jesus deixou claro que as fanfarrices religiosas não demonstram o verdadeiro espírito da fé cristã. O cristão deve compartilhar de forma anônima: “Quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas...” (Mt 6.2); “... Que sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita” (Mt 6.3).

No caminho do evangelho de Jesus, compartilhar com os necessitados, está longe de ser uma abertura para a proclamação publica ou estratégia de marketing para arrecadação de mais recursos, muito menos justificativa para quaisquer outras questões. Trata-se apenas da expressão singela do amor cristão, sem nenhuma prerrogativa de barganha ou coisa similar.

Outro tema relevante nessa questão é a abordagem feita por Jesus, sobre o tema da oração. Neste caso, a ênfase é muito maior. Enquanto os religiosos daqueles dias, e os atuais persistem em fazer da oração uma das principais expressões exteriores de sua “fé”, o Mestre ensina o oposto: “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas” (Mt 6.5). Sua proposta foi a não imitação da pratica religiosa, porque o que eles faziam trazia louvores a si próprios e não a Deus.

Jesus nunca tratou a oração como um ato de exibição de poder ou pretensa promoção pessoal. Para ele, oração era intimidade pessoal, descrita numa relação tão estreita quanto a de pai e filho. É um convite ao secreto: “... vá para o seu quarto, feche a porta...” (Mt 6.6), à pessoalidade e ao anonimato. Não há necessidade de gritos, muito menos de se preocupar com o tempo ou com as absurdas listas de pedidos. Basta se achegar a Ele, sabendo que “o Pai vê em secreto”.

O ensino de Jesus simplifica muitas coisas que os religiosos complicam. A religiosidade humana vive tão imersa em valores e praticas triunfalistas, exibicionistas e carnais, a ponto de considerar espiritual, coisas que o evangelho desconsidera. Nesse mundo de tantas instituições, “lideres”, “modelos” e manifestações publicas; as palavras do Sermão do Monte precisam ecoar entre os eleitos de Deus. Não podemos nos curvar àquilo que não expressa genuinidade cristã, muito menos aos ritos e vícios religiosos.

Aceitemos o chamado à simplicidade, caminhando como anônimos, fugindo dos holofotes das instituições religiosas e seus inúmeros apelos. O foco divino é o nosso coração. Ele sabe o que nos motiva, e desconsidera nossas ações, quando o exterior sobrepõe o “secreto”.

Riva

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"E se..." (Reflexão)







Hoje ouvi as seguintes palavras: “Se tivéssemos mais igrejas em nossa cidade, teríamos menos criminalidade, menos dependentes químicos, menos violência.” Primeiramente devemos lembrar o que tal pessoa define como “igreja”: refere-se na verdade, ao estabelecimento de mais prédios com placas, cadeiras, plataformas e tribunas, e que em determinados horários as portas sejam abertas para a entrada dos frequentadores. Fala, portanto da expansão da instituição igreja e sua estrutura organizacional.
 
Será que de fato está é a grande solução para os inúmeros problemas sociais de uma cidade? Qual tem sido o impacto transformador gerado pelo expressivo crescimento estrutural e numérico da igreja institucional em nosso país? Parece que a proposição expressa na fala citada acima, não se sustenta ante a realidade dos fatos.
 
Os problemas de uma nação, cidade ou bairro, jamais serão resolvidos pelo simples estabelecimento de novas instituições, mesmo que sejam as chamadas “igrejas”. Paulo nos instrui que o poder transformador está no evangelho (Romanos 1.16). É por ele que Deus revela a salvação dos eleitos, que por meio da fé, se arrependem dos seus pecados, sendo guiados pelo Espírito Santo, no diário viver em transformação. O poder não está em nenhuma instituição, nem na ausência das mesmas, mas, no plano divino, revelado no evangelho.
 
O que devemos fazer é apenas proclamar esse evangelho. A mensagem da cruz. Não a mensagem de uma denominação ou credo religioso. Somos semeadores da boa semente, o conhecedor dos solos e Senhor da semente é Deus. Ele sabe o que cada solo é capaz de produzir segundo sua soberana vontade.
 
Riva

quarta-feira, 27 de março de 2013

Espiritualidade Pascal

ESPIRITUALIDADE PASCAL




“Vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos, ao 
qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões
da morte; porquanto não era possível
fosse ele retido por ela (At 2.23, 24)



       Espiritualidade é a vida vivida com a visão da fé. Espiritualidade cristã é aquela que segue o modelo da vida e ensino de Jesus. Ele é o tema central da espiritualidade cristã.
Sua passagem da morte para a vida  - pesach (hebraico) – “páscoa” (português), é a mensagem central da proclamação do evangelho e de toda fé cristã. Isso nos convence que: compreender o mistério pascal é compreender o cristianismo, e ignorá-lo é ser ignorante do cristianismo.
       A páscoa nos mostra que há apenas uma espiritualidade para ser vivida: a nossa morte diária para o pecado, o egoísmo, a desonestidade e o amor degradado, a fim de desfrutarmos da novidade de vida. Nas palavras de Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).
      A espiritualidade pascal nos convida à verdadeira conversão (metanóia), que nos leva a viver em conformidade com os valores do evangelho de Cristo, a começar por uma identificação pessoal com sua morte. Nesta perspectiva, não evidenciamos apenas os valores que julgamos serem mais favoráveis às nossas necessidades (como propõem os adeptos da graça barata), mas também aqueles que nos desafiam e contrariam nossa vontade. A páscoa é um convite à plenitude de vida que se manifesta na alegria e na tristeza, nas conquistas e derrotas, em meio à fartura e escassez, nas curas e nas dores.
      Vejamos algumas das características inerentes à espiritualidade pascal, e como podemos evidenciá-las:

A espiritualidade pascal é cristocêntrica. Por meio de Cristo, por Cristo e em Cristo. Isto significa que a morte e ressurreição de Jesus são os fatos norteadores de todas as demais coisas na vida daqueles que pela graça tornam-se seus discípulos: “Fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.24).
• Há grupos que centram sua espiritualidade em determinados trechos da Bíblia, e os tornam mais importantes do que a pessoa de Jesus.
• Outros fazem dos dons carismáticos a razão para o seu viver na fé.
• Ainda outros imaginam que a simples pratica de boas obras é o centro de uma espiritualidade autentica.
       Mas se não desenvolvermos nossa fé a partir da pessoa de Cristo, tudo não passa de mero esforço humano, desprovido do real significado divino. A espiritualidade pascal é a vida que flui da cruz de Cristo.
       Resumindo, uma espiritualidade cristocêntrica é uma vida fundamentada no amor. Nossa centralidade em Cristo é medida: “Você me ama?” (ver Jo 21.15-17).
• Nosso desafio é amar a Deus, a nós mesmos e ao próximo (ver Mc 12.28-31). Como escreveu Brennan Manning: “Se nossa jornada cristã não produz Cristo em nós, se a passagem dos anos não forma Jesus de tal modo que nos tornemos realmente semelhantes a ele, nossa espiritualidade está falida.”

A espiritualidade pascal é comunitária. Deus nos criou para vivermos em comunidade, e não como seres isolados. A partir de Cristo, desenvolve-se a idéia de um organismo vivo (Igreja), formado por muitos membros (ver 1 Co 12.12-31).
• O maior exemplo de vida comunitária é a Trindade. Ela é plena de dialogo, amor autentico e relacionamento mutuo. A páscoa é convite a todos, para celebrarem ao mesmo Senhor.
• O maior teste à nossa espiritualidade é o modo como vivemos uns com os outros na comunidade de fé (igreja). Por meio de nossos atos e palavras, damos formato e forma à nossa fé. Melhoramos ou pioramos as pessoas a nossa volta.
• O viver comunitário requer da nossa parte:
 Entendimento a respeito da unidade sem uniformidade. O Senhor, o Espírito e o corpo são únicos, mas os membros (pessoas), dons e serviços são muitos.
 Aceitação por meio do amor de Cristo.
 Renunciam aos desejos pessoais, principalmente aqueles que constantemente nos instigam a buscar os primeiros lugares.
 Valorização do outro, como pessoa amada por Deus, e por tanto digna de ser amada por todos.

A espiritualidade pascal nos convida a olhar para a natureza humana como caída. Em Cristo, a pecaminosidade humana não é camuflada, pois fica evidente que: “Todos pecaram” (Rm 3.23), mas, em sua morte e ressurreição todos os eleitos de Deus são chamados ao arrependimento e à redenção.
• Quer aceitemos ou não, em Cristo os eleitos são aceitos por Deus (ainda que alguns não compreendam). Como disse alguém: “Só há um tipo de pessoa, pecadores. Os pecadores estão divididos em: pecadores arrependidos e não arrependidos.”
• Outro fator a ser considerado na perspectiva da páscoa é o fato de Deus nunca desistir dos eleitos, pois sempre preparou meios para a nossa redenção. O auge desta historia foi o sacrifico de seu Filho Jesus (ver Jo 3.16-18).
• Ao compreendermos isso, também recebemos o comissionamento para proclamarmos essas verdades a todos os homens (ver Mt 28.16-20). Neste sentindo, nossa redenção é um sinal para que outros sejam redimidos, e desfrutem do verdadeiro sentido da páscoa.

A espiritualidade pascal é cheia de júbilo e esperança. Está fundada na viva esperança do grande dia no qual Deus conduzirá seus filhos à terra prometida (eternidade).
• Jesus deixou claro que os discípulos deveriam manter a expectativa de estarem novamente com ele (ver Jo 14.1-3). 
• Ainda perplexos face à ascensão do Cristo glorificado, os discípulos foram advertidos nos seguintes termos: “Varões galileus, porque estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1.11).
• Atenção: Essa vida cheia de júbilo e otimismo não significa:
 Um viver sem lutas, reveses, incertezas e muitas outras coisas próprias do viver terreno.
 Também não significa que devamos desenvolver uma postura “positivista” de fé, que vive confessando coisas do tipo: “Só benção!”, “Não aceito enfermidades!”, “Sempre feliz e em vitória!”, etc (estes jargões são terríveis!).
 Muito menos um viver oprimido pelas limitações, incertezas e impossibilidades desta vida. Com afirmou Paulo: “Nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (ver Rm 8.31-39).
• A páscoa nos convida a um viver equilibrado (nem muito ao céu, nem muito a terra). Estamos aqui, mas não somos daqui. Somos abençoados em meio aos paradoxos da vida terrena. 
A espiritualidade pascal encara as pessoas como livres em Cristo. Nele alcançamos plena liberdade: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5.1). Como ocorrera na libertação do domínio egípcio. Por Jesus fomos, “libertos do império das trevas” (Cl 1.13).
• A visão de liberdade paulina é incapaz de sucumbir ante a prisão romana. Ele era prisioneiro de Cristo (ver Ef 3.1, 4.1), mas livre em seu viver.
• A espiritualidade pascal convida cada discípulo à obediência esclarecida (não cega). 
• Nossa liberdade está sujeita a soberania divina. Isto significa que em nome da mesma, não podemos ultrapassar os limites previamente estabelecidos pelo Senhor. “Nenhum dos seus planos  podem ser frustrados”.
• Infelizmente muitas pessoas não conseguem desfrutar desta liberdade em Cristo e acabam:
 Tornando-se libertinos, e contrários a visão bíblica (ver Rm 6.1). Aqui está a única coisa para a qual não devemos usar nossa liberdade.
 Outros assumem uma postura defensiva, fundada no legalismo (vendo pecado em praticamente tudo). Estes, a semelhança dos fariseus, são severamente confrontados  por Jesus (ver Mt 23, 24).
 Alguns se tornam pessoas manipuladas ou manipuladoras. “Se de fato conhecêssemos o Deus de Jesus, pararíamos de tentar controlar e manipular os outros (para seu bem), sabendo perfeitamente que não é assim que Deus trabalha entre seu povo” (Brennan Menning). 
 Paulo resumiu isso com maestria: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17).
       Definitivamente, a morte e ressurreição de Cristo não podem ser encaradas apenas como um acontecimento singular na história da humanidade ou o pleno cumprimento do plano divino. A Páscoa cristã é a porta de entrada para um viver diário de entrega pessoal aos apelos que emergem da cruz.
       Que ao celebrarmos nossa páscoa, o façamos com o coração aberto para um viver cristocêntrico, em comunidade, reconhecendo nossa natureza caída, mas valorizando a redenção em Cristo; assim, não faltará verdadeiro júbilo e esperança e seremos plenamente livres: “Se, pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).



 Riva

“Vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos, ao qual,
porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões
da morte; porquanto não era possível 
fosse ele
retido por ela (At 2.23, 24)







Espiritualidade é a vida vivida com a visão da fé. Espiritualidade cristã é aquela que segue o modelo da vida e ensino de Jesus. Ele é o tema central da espiritualidade cristã.

Sua passagem da morte para a vida - pesach (hebraico) – “páscoa” (português), é a mensagem central da proclamação do evangelho e de toda fé cristã. Isso nos convence que: compreender o mistério pascal é compreender o cristianismo, e ignorá-lo é ser ignorante do cristianismo.

A páscoa nos mostra que há apenas uma espiritualidade para ser vivida: a nossa morte diária para o pecado, o egoísmo, a desonestidade e o amor degradado, a fim de desfrutarmos da novidade de vida. Nas palavras de Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

A espiritualidade pascal nos convida à verdadeira conversão (metanóia), que nos leva a viver em conformidade com os valores do evangelho de Cristo, a começar por uma identificação pessoal com sua morte. Nesta perspectiva, não evidenciamos apenas os valores que julgamos serem mais favoráveis às nossas necessidades (como propõem os adeptos da graça barata), mas também aqueles que nos desafiam e contrariam nossa vontade. A páscoa é um convite à plenitude de vida que se manifesta na alegria e na tristeza, nas conquistas e derrotas, em meio à fartura e escassez, nas curas e nas dores.
Vejamos algumas das características inerentes à espiritualidade pascal, e como podemos evidenciá-las:

A espiritualidade pascal é cristocêntrica. Por meio de Cristo, por Cristo e em Cristo. Isto significa que a morte e ressurreição de Jesus são os fatos norteadores de todas as demais coisas na vida daqueles que pela graça tornam-se seus discípulos: “Fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.24).

• Há grupos que centram sua espiritualidade em determinados trechos da Bíblia, e os tornam mais importantes do que a pessoa de Jesus.
• Outros fazem dos dons carismáticos a razão para o seu viver na fé.
• Ainda outros imaginam que a simples pratica de boas obras é o centro de uma espiritualidade autentica.

Mas se não desenvolvermos nossa fé a partir da pessoa de Cristo, tudo não passa de mero esforço humano, desprovido do real significado divino. A espiritualidade pascal é a vida que flui da cruz de Cristo.

Resumindo, uma espiritualidade cristocêntrica é uma vida fundamentada no amor. Nossa centralidade em Cristo é medida: “Você me ama?” (ver Jo 21.15-17).

• Nosso desafio é amar a Deus, a nós mesmos e ao próximo (ver Mc 12.28-31). Como escreveu Brennan Manning: “Se nossa jornada cristã não produz Cristo em nós, se a passagem dos anos não forma Jesus de tal modo que nos tornemos realmente semelhantes a ele, nossa espiritualidade está falida.”

A espiritualidade pascal é comunitária. Deus nos criou para vivermos em comunidade, e não como seres isolados. A partir de Cristo, desenvolve-se a idéia de um organismo vivo (Igreja), formado por muitos membros (ver 1 Co 12.12-31).

• O maior exemplo de vida comunitária é a Trindade. Ela é plena de dialogo, amor autentico e relacionamento mutuo. A páscoa é convite a todos, para celebrarem ao mesmo Senhor.
• O maior teste à nossa espiritualidade é o modo como vivemos uns com os outros na comunidade de fé (igreja). Por meio de nossos atos e palavras, damos formato e forma à nossa fé. Melhoramos ou pioramos as pessoas a nossa volta.
• O viver comunitário requer da nossa parte:
Entendimento a respeito da unidade sem uniformidade. O Senhor, o Espírito e o corpo são únicos, mas os membros (pessoas), dons e serviços são muitos.
Aceitação por meio do amor de Cristo.
Renunciam aos desejos pessoais, principalmente aqueles que constantemente nos instigam a buscar os primeiros lugares.
Valorização do outro, como pessoa amada por Deus, e por tanto digna de ser amada por todos.

A espiritualidade pascal nos convida a olhar para a natureza humana como caída. Em Cristo, a pecaminosidade humana não é camuflada, pois fica evidente que: “Todos pecaram” (Rm 3.23), mas, em sua morte e ressurreição todos os eleitos de Deus são chamados ao arrependimento e à redenção.

• Quer aceitemos ou não, em Cristo os eleitos são aceitos por Deus (ainda que alguns não compreendam). Como disse alguém: “Só há um tipo de pessoa, pecadores. Os pecadores estão divididos em: pecadores arrependidos e não arrependidos.”
• Outro fator a ser considerado na perspectiva da páscoa é o fato de Deus nunca desistir dos eleitos, pois sempre preparou meios para a nossa redenção. O auge desta historia foi o sacrifico de seu Filho Jesus (ver Jo 3.16-18).
• Ao compreendermos isso, também recebemos o comissionamento para proclamarmos essas verdades a todos os homens (ver Mt 28.16-20). Neste sentindo, nossa redenção é um sinal para que outros sejam redimidos, e desfrutem do verdadeiro sentido da páscoa.

A espiritualidade pascal é cheia de júbilo e esperança. Está fundada na viva esperança do grande dia no qual Deus conduzirá seus filhos à terra prometida (eternidade).

• Jesus deixou claro que os discípulos deveriam manter a expectativa de estarem novamente com ele (ver Jo 14.1-3). 
• Ainda perplexos face à ascensão do Cristo glorificado, os discípulos foram advertidos nos seguintes termos: “Varões galileus, porque estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1.11).
• Atenção: Essa vida cheia de júbilo e otimismo não significa:
Um viver sem lutas, reveses, incertezas e muitas outras coisas próprias do viver terreno.
Também não significa que devamos desenvolver uma postura “positivista” de fé, que vive confessando coisas do tipo: “Só benção!”, “Não aceito enfermidades!”, “Sempre feliz e em vitória!”, etc (estes jargões são terríveis!).
Muito menos um viver oprimido pelas limitações, incertezas e impossibilidades desta vida. Com afirmou Paulo: “Nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (ver Rm 8.31-39).
• A páscoa nos convida a um viver equilibrado (nem muito ao céu, nem muito a terra). Estamos aqui, mas não somos daqui. Somos abençoados em meio aos paradoxos da vida terrena.
 
A espiritualidade pascal encara as pessoas como livres em Cristo. Nele alcançamos plena liberdade: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou” (Gl 5.1). Como ocorrera na libertação do domínio egípcio. Por Jesus fomos, “libertos do império das trevas” (Cl 1.13).

• A visão de liberdade paulina é incapaz de sucumbir ante a prisão romana. Ele era prisioneiro de Cristo (ver Ef 3.1, 4.1), mas livre em seu viver.
• A espiritualidade pascal convida cada discípulo à obediência esclarecida (não cega). 
• Nossa liberdade está sujeita a soberania divina. Isto significa que em nome da mesma, não podemos ultrapassar os limites previamente estabelecidos pelo Senhor. “Nenhum dos seus planos podem ser frustrados”.
• Infelizmente muitas pessoas não conseguem desfrutar desta liberdade em Cristo e acabam:
Tornando-se libertinos, e contrários a visão bíblica (ver Rm 6.1). Aqui está a única coisa para a qual não devemos usar nossa liberdade.
Outros assumem uma postura defensiva, fundada no legalismo (vendo pecado em praticamente tudo). Estes, a semelhança dos fariseus, são severamente confrontados por Jesus (ver Mt 23, 24).
Alguns se tornam pessoas manipuladas ou manipuladoras. “Se de fato conhecêssemos o Deus de Jesus, pararíamos de tentar controlar e manipular os outros (para seu bem), sabendo perfeitamente que não é assim que Deus trabalha entre seu povo” (Brennan Menning). 
Paulo resumiu isso com maestria: “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17).

Definitivamente, a morte e ressurreição de Cristo não podem ser encaradas apenas como um acontecimento singular na história da humanidade ou o pleno cumprimento do plano divino. A Páscoa cristã é a porta de entrada para um viver diário de entrega pessoal aos apelos que emergem da cruz.

Que ao celebrarmos nossa páscoa, o façamos com o coração aberto para um viver cristocêntrico, em comunidade, reconhecendo nossa natureza caída, mas valorizando a redenção em Cristo; assim, não faltará verdadeiro júbilo e esperança e seremos plenamente livres: “Se, pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).

Riva